O comissário europeu de Energia, Dan Jørgensen, recomendou que os governos da União Europeia usem a flexibilidade das regras de armazenamento para evitar compras de gás em pânico. A Comissão Europeia considera que uma meta de 80% de enchimento pode ser suficiente para atravessar o inverno, em vez da referência de 90% aplicada normalmente.
As reservas do bloco estão cerca de 70% cheias, 12 pontos percentuais abaixo do nível registrado no mesmo período do ano passado, conforme dados da Gas Infrastructure Europe. Jørgensen afirmou, porém, que não há riscos imediatos para a segurança do abastecimento.
O alerta está relacionado ao aumento dos preços e à competição por gás natural liquefeito. O índice holandês TTF, referência europeia para o mercado, é negociado em torno de 72 euros por MWh, alta de 40 euros por MWh desde os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. Analistas avaliam que o preço pode superar 100 euros por MWh no pico do inverno caso não cresçam as exportações de gás natural liquefeito do Golfo ou se a manutenção na Noruega prolongar as restrições às exportações.
Em carta enviada aos governos, Jørgensen pediu a adoção ou a continuidade de medidas para manter as injeções nos reservatórios e reduzir o consumo de gás e eletricidade pelo tempo necessário. Segundo o comissário, a situação não melhorou desde o primeiro alerta, feito em março.
A orientação não estabelece medidas obrigatórias. Entre as opções citadas estão reduzir o consumo de eletricidade nos horários de maior demanda, estimular a transferência do consumo por meio de medidores inteligentes e tarifas de varejo, limitar a temperatura em prédios públicos, restringir o aquecimento externo e desligar à noite a iluminação pública considerada desnecessária.
A Comissão também lembrou que os planos nacionais de emergência incluem instrumentos mais severos, como contratos de gás interruptíveis e a conversão de usinas movidas a gás para outros combustíveis. A carta afirma que medidas voluntárias e planejadas de redução da demanda foram úteis durante a crise energética de 2022.
A recomendação por uma meta de 80% busca permitir que os países distribuam as compras por um período mais longo. A Comissão avalia que adquirir grandes volumes em um mercado global apertado pode pressionar ainda mais os preços. “Não há, neste momento, riscos imediatos para a segurança do aprovisionamento”, diz a carta, embora a situação continue exigente.







