Pesquisadores identificaram a primeira sequência conhecida de pegadas atribuída a um Tyrannosaurus rex adulto. O rastro, localizado nos Estados Unidos, tem quatro marcas preservadas e foi descrito na última terça-feira (8) na revista Journal of Vertebrate Paleontology.
As pegadas foram encontradas em 2025 perto de Marmarth, em uma área protegida federal administrada pelo Serviço Florestal dos EUA. O local fica aproximadamente 33 metros abaixo do limite entre as formações Hell Creek e Fort Union, próximo à camada geológica associada à extinção em massa de 66 milhões de anos atrás.
Evidências do animal
Com idade estimada em 66,5 milhões de anos, a trilha se estende por sete metros. Cada pegada mede cerca de um metro, sendo duas do membro direito e duas do esquerdo. O padrão de três dedos e a distância entre as marcas permitiram associá-las a um tiranossaurídeo conhecido naquela região, embora a preservação limite uma análise mais detalhada.
A Formação Hell Creek, no estado Dakota do Norte, já havia fornecido diversos fósseis do Cretáceo Superior. Segundo os pesquisadores, havia três tiranossaurídeos conhecidos no local: duas espécies de Nanotyrannus, de menor porte, e o Tyrannosaurus rex. O tamanho das marcas levou a equipe a considerar o T. rex a única espécie grande o suficiente para produzi-las.
“Estamos bem confiantes que os vestígios eram deste animal”, afirmou Tyler Lyson, curador sênior de paleontologia de vertebrados do Museu de Natureza e Ciência de Denver e coordenador do estudo.
As depressões deixadas no sedimento fino foram preenchidas posteriormente por água altamente carbonatada. O processo formou concreções na rocha ao redor dos moldes, preservando as impressões. Para a equipe, esse tipo de conservação pode ajudar a localizar outras sequências de pegadas, já que paleontólogos costumam buscar principalmente ossos fósseis.
Análise digital e próximos trabalhos
A equipe aplicou escaneamento digital in situ para criar imagens tridimensionais das marcas. Com os modelos, os cientistas calcularam distâncias, comprimentos e possíveis características biológicas do animal. A estimativa indica uma velocidade entre 1,5 e 2 m/s, equivalente a cerca de 5,4 km/h a 7,2 km/h.
Uma quinta pegada foi identificada em novas atividades de campo realizadas durante o verão deste ano. Escavações futuras poderão revelar informações adicionais sobre a anatomia do pé, a locomoção e o comportamento do animal. A posição das marcas no estrato, porém, sugere que parte do início ou da continuação da trilha pode ter sido afetada pela compressão do sedimento.
A equipe pretende remover pelo menos três pegadas com o uso de helicópteros, devido ao tamanho e à fragilidade do material. Depois, as peças devem ser levadas ao Museu de Denver, onde serão preparadas e posteriormente expostas ao público.








