São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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Financiamento e vetos pressionam a ONU antes da Assembleia-Geral

A organização enfrenta atrasos nas contribuições, redução de operações e bloqueios no Conselho de Segurança enquanto líderes discutem sua reforma.

Financiamento e vetos pressionam a ONU antes da Assembleia-Geral

O programa de resposta ao HIV sofreu, nos últimos dois meses, o maior impacto desde o início da resposta global ao vírus e à doença. A ajuda mundial destinada à iniciativa caiu 23% em 2025, o programa de testagem foi reduzido em 22% e a distribuição de camisinhas, em mais de 90%.

O caso expõe a crise orçamentária que atravessa a Organização das Nações Unidas antes da Assembleia-Geral, cujos discursos de chefes de Estado começam na próxima terça-feira (22). No início deste ano, a direção da ONU anunciou um “iminente colapso financeiro”.

Menos recursos para ações humanitárias

Desde o ano passado, mais países atrasaram o pagamento de contribuições obrigatórias e reduziram repasses voluntários, usados para financiar ajuda humanitária em países específicos. Com a queda dos recursos, agências da organização transferiram verbas entre si, diminuíram operações ou encerraram atividades.

As missões de paz também foram reduzidas. No Sudão, em guerra civil há mais de três anos, a ONU informou há poucos dias que a assistência humanitária pode entrar em colapso nas próximas semanas por falta de financiamento.

Os Estados Unidos, um dos maiores financiadores da instituição, ainda devem mais de US$ 1 bilhão à ONU. O valor foi reduzido no último dia 16, após Washington pagar US$ 725 milhões. O presidente Donald Trump é um dos críticos da organização.

Conselho de Segurança travado

A restrição financeira se soma à paralisação do Conselho de Segurança, principal órgão da ONU. Votações sucessivas foram bloqueadas pelo poder de veto dos membros permanentes, que estão envolvidos nos principais conflitos globais mencionados no debate internacional: a Rússia, na guerra da Ucrânia; e os Estados Unidos, na guerra no Oriente Médio, incluindo o conflito iniciado no Irã e o apoio a Israel na guerra em Gaza.

A organização também não apresentou mediações consideradas importantes para conflitos de grande escala, como os da Ucrânia e do Oriente Médio. Essa insuficiência é atribuída, em parte, ao secretário-geral António Guterres, que está nos meses finais do mandato.

A ONU enfrenta o maior número de conflitos desde a Segunda Guerra (1939-1945), enquanto o multilateralismo é questionado por alguns dos maiores líderes mundiais. Fundada em 1945, a instituição passou a ser pressionada por diplomatas e especialistas a se renovar, embora ainda não haja definição sobre como fazer isso.

Reforma em debate

A ampliação do Conselho de Segurança é uma das propostas. Guterres defende a inclusão de mais países com poder de veto e uma composição que reflita o cenário atual, com potências emergentes, e não apenas a ordem dos anos 1940. A reforma também é uma bandeira de longa data do Brasil.

No ano passado, o secretário-geral lançou o ONU80, processo que prevê reforma e corte de gastos para tornar a organização mais eficiente. A iniciativa ainda está em andamento, enquanto a necessidade de mudanças mais amplas é apontada no debate sobre o futuro da instituição.

Os problemas devem aparecer nos discursos dos chefes de Estado, que começam na terça-feira. O presidente Lula (PT) abrirá tradicionalmente os trabalhos e será seguido por Trump. A disposição desses líderes para promover mudanças na organização ainda é uma questão em aberto.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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