Israel anunciou nesta quinta-feira (17) um exercício naval com a Grécia no Mediterrâneo, realizado há duas semanas perto de águas contestadas por Atenas e Ancara em torno de Chipre. O movimento ocorreu no mesmo momento em que os Estados Unidos autorizaram a venda de caças F-35 à Arábia Saudita.
A operação reuniu dois navios israelenses lançadores de mísseis e duas fragatas gregas, em uma simulação de coordenação e ataque. Israel e Grécia mantêm exercícios conjuntos desde 2011. No fim do ano passado, os dois países anunciaram a criação de uma força conjunta de 2.500 homens para ações aeronavais no Mediterrâneo.
Disputa entre Israel, Grécia e Turquia
A Grécia e a Turquia são rivais históricas. Os dois países se enfrentaram pelo controle de Chipre em 1974, e a ilha acabou dividida. Embora integrem a Otan, aliança militar liderada pelos Estados Unidos, mantêm desconfiança mútua.
A aproximação militar entre Israel e Grécia inclui compras de equipamentos. Em abril, Atenas adquiriu US$ 650 milhões (R$ 3,3 bilhões) em sistemas de artilharia com mísseis israelenses Puls. Os equipamentos serão instalados em ilhas do mar Egeu próximas à costa turca.
Em agosto, a Grécia anunciou a compra de um sistema antiaéreo israelense por US$ 3,5 bilhões (R$ 18 bilhões). O equipamento tem três camadas de proteção e é apresentado como inédito na Europa. O país pretende gastar quase US$ 30 bilhões (R$ 150 bilhões) em dez anos em seu programa de rearmamento.
A Turquia também é alvo de atenção do governo de Donald Trump. O presidente estuda reincluir o país no programa de fabricação do F-35, do qual Ancara foi excluída em 2019 após comprar sistemas antiaéreos da Rússia. Segundo Trump, uma decisão deve ocorrer logo.
Venda de caças para a Arábia Saudita
O Departamento de Estado aprovou a venda de 48 aeronaves F-35 e 49 motores por estimados US$ 24,9 bilhões (R$ 151,4 bilhões no câmbio desta quinta). O acordo era desejado há anos pela Arábia Saudita, que opera caças americanos e europeus, mas ainda não possuía um modelo de quinta geração.
A autorização ocorreu após Trump anunciar o negócio durante uma visita a Washington do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, em novembro. No Oriente Médio, apenas Israel opera o F-35. O governo israelense protestou contra a venda e contra a possibilidade de a Turquia retornar ao programa, alegando riscos para sua segurança.
A decisão também ocorre durante a crise entre a Arábia Saudita e os houthis do Iêmen. Desde julho, a guerra civil no país, congelada em 2022, foi retomada com um bloqueio aéreo da capital controlada pelos rebeldes pró-Irã.
Na semana passada, os houthis tomaram a costa iemenita no mar Vermelho e ameaçaram bloquear portos sauditas. O grupo também derrubou um caça F-15 saudita e atacou bases no país vizinho. Os F-35 não chegarão a tempo de alterar o conflito atual, mas a venda sinaliza apoio de Trump a Riad em meio à crise.







