São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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Pesquisa brasileira aponta oito exoplanetas com maior potencial para água líquida

Análise de dados de mais de 6 mil exoplanetas identificou oito corpos com características semelhantes às da Terra.

Pesquisa brasileira aponta oito exoplanetas com maior potencial para água líquida
Foto: Nasa/Divulgação

Um estudo conduzido pelo cientista Fábio Calabrio Evangelista da Silva identificou oito exoplanetas com maior possibilidade de apresentar água em estado líquido, condição associada à existência de vida nos moldes conhecidos pela ciência. O trabalho foi orientado pelo professor Marcelo Borges Fernandes, do Observatório Nacional, e apresentado nesta semana durante a 6ª edição do Astrobion, evento de astrobiologia organizado pela instituição.

Silva analisou dados de mais de 6 mil exoplanetas disponíveis em um banco da Nasa. Entre os critérios observados estavam raio, densidade e distância em relação à estrela. A pesquisa selecionou os corpos com características próximas às da Terra e que estão na chamada zona de habitabilidade, região em que a distância da estrela pode permitir a presença de água líquida.

O levantamento também estimou características das atmosferas, além da pressão e da temperatura na superfície. O exoplaneta mais parecido com a Terra entre os oito é o GJ 1002b, com 98% de similaridade, segundo a pesquisa do Observatório Nacional.

Descoberto em 2022, o GJ 1002b está a 16 anos-luz da Terra e orbita uma estrela anã-vermelha, do tipo M, mais fria que o Sol. O planeta completa uma volta ao redor da estrela em 10 dias.

Como a busca é feita

A identificação de condições potencialmente favoráveis não confirma a existência de vida. A análise depende principalmente da observação das atmosferas, feita com instrumentos capazes de examinar as ondas de luz emitidas pela estrela durante o trânsito do planeta. As variações provocadas pela interação com a atmosfera podem indicar a presença de diferentes substâncias químicas.

Os cientistas procuram bioassinaturas: substâncias ou combinações de substâncias que, na Terra, são produzidas com frequência por mecanismos biológicos. A coexistência de metano e oxigênio é um exemplo. Ainda assim, essas mesmas substâncias podem resultar de processos geológicos, radiação ou outras fontes não relacionadas à vida.

Marcelo Borges Fernandes afirma que a Terra continua sendo a única referência disponível para definir as condições associadas à vida. José Aponte, pesquisador do Laboratório Analítico de Astrobiologia da Nasa, ressalta que uma bioassinatura isolada não permite uma confirmação definitiva. Para aumentar a evidência, os cientistas consideram a repetição de moléculas em várias medições, a predominância de um tipo de quiralidade e a distribuição de isótopos mais leves.

Moléculas não bastam como prova

A presença de ingredientes associados à vida também não é suficiente para confirmar organismos extraterrestres. Amostras do asteroide Bennu analisadas por cientistas continham dezenas de moléculas orgânicas, incluindo fosfatos, ribose e cinco bases nitrogenadas: adenina, guanina, citosina, timina e uracila. Foram encontrados ainda 14 dos 20 aminoácidos usados pelos organismos terrestres, entre eles o triptofano.

Essas moléculas podem ter origem abiótica, formada por radiação ou reações químicas em ambientes aquosos. Para Aponte, a identificação de um composto do tipo nucleotídeo ou de uma cadeia de RNA representaria uma evidência mais robusta, porque essas moléculas se decompõem rapidamente em termos geológicos.

A pesquisa sobre vida fora da Terra também inclui missões no Sistema Solar. A Europa Clipper deve chegar, em 2030, a Europa, satélite de Júpiter que pode abrigar um oceano de água salgada sob a crosta de gelo. A missão Dragonfly deverá ser lançada em 2028 rumo a Titan, uma lua de Saturno, e chegar ao destino em 2034. O robô buscará indicadores químicos de vida baseada em água ou em hidrocarbonetos, como o metano.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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