SÃO PAULO — A 18ª reunião de cúpula do Brics, sediada pela Índia neste fim de semana, deve evidenciar as divergências entre os países do grupo, apesar do discurso de união diante da hegemonia ocidental. As agendas individuais dos membros se sobrepõem às posições comuns do bloco.
Brasil, Rússia, Índia e China, fundadores do Brics em 2009, estarão representados por seus líderes, com exceção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O chanceler Mauro Vieira participará em seu lugar. Também estarão presentes o sul-africano Cyril Ramaphosa e convidados incorporados ao grupo em 2023.
Entre os participantes, o iraniano Masoud Pezeshkian deverá buscar uma demonstração de apoio internacional enquanto o Irã enfrenta militarmente os Estados Unidos. China e Rússia apoiam Teerã, mas a Índia não. Os Emirados Árabes Unidos, outro membro recente, romperam relações comerciais com o Irã depois de se tornarem o principal alvo de retaliações iranianas contra aliados americanos no golfo Pérsico.
O príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed, estará à mesa com Pezeshkian. As diferenças entre os dois países já impediram um comunicado do Brics neste ano, e o Kremlin teme que o mesmo ocorra durante a reunião na Índia.
Xi, Modi e a disputa asiática
A presença de Xi Jinping em território indiano pela primeira vez em sete anos deve ser o principal foco político do encontro. O primeiro-ministro Narendra Modi já visitou a China e se reuniu com Xi na cúpula do Brics em Kazan, na Rússia, em 2024.
A expectativa é de uma reunião bilateral entre Modi e Xi. Os dois não conversaram separadamente quando participaram, há uma semana, da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, no Quirguistão. Na ocasião, Modi se encontrou com Vladimir Putin, que também se reuniu com Xi.
Modi articula alianças militares com países que desconfiam das intenções de Pequim no Indo-Pacífico. O objetivo é manter no horizonte a possibilidade de um bloqueio a rotas marítimas.
Putin chegou a Nova Déli nesta sexta (11) e se reuniu com Modi. A prioridade russa é preservar o canal de exportação de petróleo para os indianos. No fórum empresarial da cúpula, programado para sábado (12) e domingo (13), o presidente russo acusou o Ocidente de preparar ataques contra instalações de energia dos países do Brics para retomar sua hegemonia econômica.
O Brasil deverá tratar da integração de meios de pagamentos digitais entre os integrantes do bloco. A proposta é considerada de difícil execução, mas o debate tende a provocar irritação em Washington. Embora Donald Trump veja o Brics como uma frente hostil aos Estados Unidos, cada membro mantém relações e interesses próprios com os americanos.








