PETROZAVODSK — O cubano Oemis Romagoza Durruthy, professor de dança latina em Petrozavodsk, no norte da Rússia, é acusado de recrutar pessoas para missões de sabotagem em países europeus. Ele teria atuado sob os codinomes “Deus” e “Adrián”, enquanto usava a atividade profissional para ocultar a função atribuída a ele pelo Kremlin.
Durruthy chegou à Rússia em 2022, casou-se com uma russa e obteve a cidadania do país. A estratégia de recrutamento, segundo a investigação, era localizar pela internet pessoas dispostas a executar tarefas em troca de dinheiro. A maioria seria formada por imigrantes e indivíduos com baixo poder aquisitivo, principalmente de países de língua espanhola.
Uma mensagem divulgada em um grupo latino-americano no Telegram buscava pessoas com experiência militar para atividades de monitoramento, inteligência, logística e manobras táticas. As missões poderiam pagar até US$ 1.500, além de um bônus.
Recrutamento e condenação
Um dos recrutados foi o colombiano Luis Alfonso Murillo Diosa, de 34 anos. Ex-integrante do Exército Colombiano, ele procurou informações sobre o alistamento no Exército ucraniano em um grupo do Facebook, depois de decidir seguir para a Ucrânia por causa das dívidas da família.
Foi nesse contexto que “Deus” entrou em contato. O cubano teria se apresentado como integrante de uma unidade especial e oferecido a Murillo missões na Europa, em vez do deslocamento para a Ucrânia. Ele também organizou a viagem do colombiano para a Romênia.
Murillo chegou a Bucareste em julho de 2024 e recebeu uma imagem de satélite. Após uma primeira tarefa de monitoramento, teria recebido imagens de instalações romenas e instruções para fotografá-las e provocar um incêndio. Ele foi preso à noite, perto de uma usina de reciclagem, depois de fazer algumas fotos.
Nos registros judiciais, Murillo afirmou que não pretendia iniciar o incêndio. Disse ainda que aceitou a proposta para se aproximar da Ucrânia e que desconhecia o real destinatário de seu trabalho. Em 2025, foi condenado a seis anos de prisão por tentativa de sabotagem.
Durante quatro meses, as ordens atribuídas a “Deus” incluíram incêndios em dois depósitos de materiais de construção na Polônia, em uma garagem de ônibus na República Tcheca e em uma usina de reciclagem na Romênia. Também houve instruções relacionadas a equipamentos destinados à Ucrânia e fabricados por uma empresa da Lituânia.
O Ministério Público da Lituânia foi, até o momento, a única autoridade a atribuir publicamente a série de ataques incendiários ao GRU, serviço de inteligência militar da Rússia. As autoridades lituanas incluíram ainda um cubano residente na Rússia em uma lista internacional de procurados.







