SÃO PAULO — Os líderes do Brics aprovaram neste sábado (12) a Declaração de Nova Déli, com críticas a tarifas e barreiras comerciais unilaterais e defesa do uso mais amplo de moedas locais no comércio e nos investimentos entre os países do bloco, do qual o Brasil faz parte.
O documento afirma que “o sistema multilateral de comércio chegou a uma encruzilhada crítica” e aponta que a expansão de tarifas e restrições comerciais aumenta a incerteza na economia mundial, com impacto desproporcional sobre países em desenvolvimento. A declaração foi aprovada por unanimidade.
Os líderes também demonstraram preocupação com a disseminação de barreiras tarifárias e não tarifárias que, na avaliação dos países, desrespeitam regras da OMC (Organização Mundial do Comércio) e colocam em risco as cadeias globais de suprimentos. Medidas protecionistas justificadas por razões ambientais foram criticadas, assim como sanções econômicas unilaterais e sanções secundárias sem autorização do Conselho de Segurança da ONU.
Pagamentos e financiamento
A cúpula, que marcou os 20 anos do Brics, defendeu mudanças na governança do FMI (Fundo Monetário Internacional), do Banco Mundial e da OMC para ampliar a participação de países em desenvolvimento nas instituições que formulam as regras da economia global.
Os países também apoiaram a integração de sistemas nacionais de pagamentos e o fortalecimento do NDB (Novo Banco de Desenvolvimento). Os líderes pediram que o banco aumente sua capacidade de captar recursos, diversifique as fontes de financiamento e amplie o crédito em moedas locais para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. A expansão da base de membros e a criação de uma plataforma de investimentos continuam em discussão.
A força-tarefa de pagamentos do Brics recebeu reconhecimento pelo trabalho de conectar canais de pagamento e sistemas de mensagens financeiras dos países-membros. A iniciativa busca facilitar operações internacionais, com redução de custos e maior rapidez, acesso, eficiência, transparência e segurança.
A declaração registra ainda as discussões para ampliar o uso de moedas locais na liquidação de operações comerciais e de investimentos. A decisão, porém, ficará condicionada às prioridades de cada país, sem uma fórmula única para o bloco.
A moeda comum do Brics não foi incluída entre as decisões da cúpula. A estratégia aprovada prevê ampliar gradualmente alternativas a moedas e estruturas financeiras dominadas pelas economias desenvolvidas, sem rompimento com o sistema atual.
A inteligência artificial também entrou na agenda econômica. Os líderes defenderam cooperação internacional para ampliar o acesso a esses recursos e buscar sistemas seguros, inclusivos, confiáveis e mais eficientes no uso de energia.







