São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Vídeos mostram empresários discutindo lucros de entidades ligadas ao INSS

Gravações registram Igor Delecrode e sócios falando sobre faturamento, imóveis e planos de investimento; defesa questiona autenticidade dos vídeos.

Vídeos mostram empresários discutindo lucros de entidades ligadas ao INSS

Gravações feitas em um apartamento de Anderson Cordeiro Vasconcelos registraram conversas de empresários investigados na Operação Sem Desconto sobre o dinheiro obtido por meio de associações ligadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As câmeras funcionavam 24 horas por dia, e o material acessado reúne 30 minutos de imagens.

Em um dos diálogos, Igor Dias Delecrode afirmou que o grupo havia obtido um faturamento elevado em relação ao investimento inicial. “O que a gente ganhava nem multinacional ganha”, disse Delecrode em 22 de maio de 2025. A defesa afirma desconhecer o vídeo.

As investigações apontam que Delecrode e os sócios Felipe Macedo Gomes, Anderson Cordeiro Vasconcelos e Américo Monte Jr são suspeitos de faturar mais de R$ 700 milhões com quatro entidades: Associação de Amparo ao Aposentado e Pensionista (AASAP), Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), Master Prev e Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas (ANDAPP).

Investimentos e patrimônio

Nas conversas, os empresários discutiram a possibilidade de investir em franquias de venda de bolos. Delecrode relatou que Felipe Macedo Gomes teria rejeitado a ideia, por considerar baixo o retorno mensal diante dos milhões obtidos pelas associações. Anderson afirmou que também havia sido desaconselhado a entrar em outros negócios.

O grupo é associado a imóveis em Alphaville e a uma frota de carros de luxo. A Polícia Federal apreendeu 29 veículos, avaliados em R$ 28 milhões. Anderson também comentou sobre imóveis no condomínio Genesis 1 e reclamou da dificuldade para alugar uma casa, cujo valor mensal poderia chegar a R$ 15 mil. Ele disse ainda que os imóveis do local poderiam valer mais de R$ 10 milhões.

Descontos em benefícios

As associações conseguiram realizar descontos diretamente na folha de pagamento de aposentados após firmarem acordos de cooperação técnica com o INSS. Os acordos previam o repasse das mensalidades dos associados às entidades, que ofereciam serviços como seguros e planos de saúde.

A investigação apura se aposentados foram filiados de forma fraudulenta. Dados da Controladoria-Geral da União indicam que 98% não haviam autorizado os descontos, e muitos sequer sabiam da existência das associações. O esquema é investigado por ter causado prejuízo de R$ 6,2 bilhões.

Também há suspeitas de que ex-diretores do INSS tenham recebido propina para aprovar novas associações ou manter acordos em vigor durante sindicâncias. Mais de R$ 100 milhões recebidos pelas quatro entidades teriam sido direcionados a empresas ligadas aos empresários e, depois, a parentes deles.

Contratos e defesa

Empresas associadas ao grupo firmaram contratos com Eric Fidelis, filho de André Fidelis, e com Thaissa Hoffmann, mulher de Virgílio Oliveira. Os dois ex-dirigentes do INSS foram presos na Operação Sem Desconto e são citados em investigações sobre pagamentos recebidos de Antonio Carlos Camilo Antunes e de operadores ligados às associações.

Quebras de sigilo bancário identificaram transferências de R$ 8 mil de Felipe Macedo Gomes para José Carlos de Oliveira e de R$ 12 mil feitas por João Carlos Camargo Jr. para o ex-ministro da Previdência Social.

Os advogados Rogério Cury, Daniela Cury, Levy Magno e Victor Fanti, que defendem Anderson, Igor e Felipe, declararam que “desconhecem a existência, a autenticidade e a integridade dos vídeos em questão”. A defesa de Anderson também sustenta que, se os vídeos existirem, foram obtidos de maneira ilícita e criminosa.

Os empresários não foram presos. Em abril de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça determinou, a pedido da Polícia Federal, o uso de tornozeleiras eletrônicas.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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