São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

PF investiga repasse de R$ 2 milhões em emendas ligado a filme sobre Bolsonaro

Operação mira Mario Frias e duas ONGs associadas à produtora de Dark Horse; celular do deputado foi apreendido.

Caso Dark Horse: operação da PF investiga envio de R$ 2 milhões em emendas para produtora de filme do ex-presidente
Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Federal investiga o repasse de R$ 2 milhões em recursos de emendas parlamentares destinado a organizações ligadas à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A operação foi deflagrada nesta quinta-feira (10) e tem entre os alvos o deputado federal Mario Frias (PL-RJ) e duas organizações não governamentais associadas à produtora Karina Ferreira da Gama.

As entidades investigadas são o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). A empresa Go Up, responsável pela produção do filme, não está entre os alvos dos mandados. Durante o cumprimento das ordens judiciais, o celular de Mario Frias foi apreendido.

Suspeita de direcionamento

A PF afirma investigar uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados. A suspeita é de que os valores recebidos tenham sido direcionados a empresas subcontratadas de maneira irregular, sem comprovação de que os serviços contratados foram efetivamente prestados. De acordo com os investigadores, as tentativas de ocultar os desvios teriam continuado até julho deste ano.

A apuração chegou ao Supremo Tribunal Federal após a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) pedir a análise de repasses de emendas para organizações ligadas à produtora de Dark Horse. Em 21 de março, o ministro Flávio Dino determinou que Mario Frias se manifestasse sobre os fatos em cinco dias.

A intimação não foi concluída. Em 14 de abril, o STF registrou que um oficial de Justiça havia tentado localizar o deputado três vezes no gabinete parlamentar. Depois, Dino determinou que a Câmara dos Deputados informasse os endereços de Frias em Brasília e em São Paulo. Novas buscas também não estabeleceram contato.

Em 15 de abril, Flávio Dino abriu uma apuração preliminar sobre a destinação de emendas parlamentares de deputados do PL a ONGs ligadas à produtora. Frias afirmou que a acusação era “absolutamente falsa, desprovida de qualquer lastro probatório e difamatória” e negou que a emenda questionada tivesse sido destinada a “qualquer produção cinematográfica”.

Financiamento do filme

Dark Horse também passou a ser investigado após informações sobre suposto financiamento de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. O ex-banqueiro está preso em Brasília. O senador Flávio Bolsonaro admitiu ter intermediado negociações e cobrado pagamentos de Vorcaro, que teria repassado cerca de R$ 61 milhões ao projeto antes de ser preso.

Na quarta-feira (9), o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu a decisão que havia afastado o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Os dois foram reintegrados à corporação.

Ao determinar o retorno de Rodrigues ao comando da PF, Flávio Dino citou o impacto do afastamento sobre as investigações relacionadas ao filme. Em maio, mensagens e um áudio atribuídos a Flávio Bolsonaro foram divulgados, com cobrança de dinheiro a Vorcaro para financiar a produção. O repasse teria alcançado ao menos R$ 61 milhões em 2025, transferidos para um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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