SÃO PAULO — O empresário Eduardo Moreno Lopes transferiu R$ 900 mil para contas de duas empresas indicadas por Ygor Daniel Zago, conhecido como Hulk e condenado por tráfico internacional de drogas, segundo denúncia do Ministério Público de São Paulo e relatório policial. As transações são associadas a um esquema de troca de dinheiro em espécie por transferências bancárias.
As operações ocorreram em quatro ocasiões, ao longo de 35 dias. As empresas já haviam sido citadas em investigações anteriores da Polícia Federal e também aparecem na Operação Falsa Las Vegas, que resultou em denúncia contra Lopes por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Intermediação e movimentação financeira
As evidências foram localizadas no celular de Manoel Sérgio Sanches, dono de uma loja de carros de luxo apontado como intermediário entre os envolvidos. Sanches se entregou à polícia em dezembro, está preso e responde por acusações de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
De acordo com a polícia, Lopes não era sócio das empresas, mas controlava as contas bancárias usadas nos pagamentos. A investigação identificou que a maior parte das transferências, no total de R$ 497 mil, foi feita poucas horas depois do envio dos dados bancários por aplicativo de mensagens.
Mensagens apreendidas nos celulares dos investigados indicam a cobrança de comissões entre 1,5% e 4% pela troca de dinheiro vivo por transferências. A investigação afirma que os recursos teriam origem no tráfico de drogas, na exploração de jogos de azar na região metropolitana de São Paulo e em outros crimes.
A denúncia do MP-SP registra que as ordens, os valores e os comprovantes das operações foram encontrados nas conversas extraídas dos aparelhos. “Os valores, os fracionamentos e os comprovantes bancários estão registrados” no material, segundo trecho do documento.
Defesas
O escritório TFV Advogados, que representa Lopes, afirmou que ele “refuta completamente as acusações” e classificou a investigação como incompleta e parcial. A defesa também declarou que o empresário não foi ouvido, embora tenha se oferecido para prestar depoimento quatro vezes. Lopes teve a prisão decretada e é considerado foragido da Justiça.
Zago negou conhecer Lopes e disse que eventual relação financeira com Sanches se limita à compra e venda de carros. Seu advogado, Isaac Minichillo de Araújo, afirmou que ele nunca integrou uma organização criminosa.
Relatórios policiais apontam Zago como suspeito de liderar uma quadrilha que adulterava combustíveis com metanol. Ele foi alvo da Operação Boyle, que deu origem à Carbono Oculto, e condenado a 29 anos de prisão por tráfico internacional de drogas em um esquema baseado no Porto de Santos.
A condenação decorreu da Operação Hulk, que apreendeu 3,7 toneladas de cocaína no Porto de Santos entre 2013 e 2014. A defesa recorreu e obteve uma decisão que permitiu a Zago responder em liberdade até a conclusão do caso. Ele foi preso em Portugal em novembro do ano passado e liberado em maio deste ano, após o fim do prazo para mantê-lo detido. Desde então, segundo seus advogados, cumpre medida cautelar, mantém endereço conhecido pelas autoridades e participa de audiências por videoconferência com autorização judicial.








