São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Mensagens apontam articulação entre Master e BRB para operações sem documentação

Conversas apreendidas pela PF indicam negociação de ativos, compra do Banco Master e possível compensação de perdas em operações futuras.

Mensagens apontam articulação entre Master e BRB para operações sem documentação

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram uma negociação entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), para viabilizar operações com ativos problemáticos e a compra do banco. A investigação estima a fraude em aproximadamente R$ 17 bilhões e acusa Costa de receber R$ 146 milhões em imóveis como propina. Os dois estão presos.

As conversas integram os documentos do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O sigilo foi levantado nesta sexta-feira, 11, pelo relator, ministro André Mendonça, a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. A defesa de Vorcaro informou que não vai se manifestar. Os advogados de Costa foram procurados.

Em 2024, equipes do BRB identificaram problemas em carteiras de crédito consignado cedidas pelo Master. Vorcaro pediu ajuda para resolver uma necessidade financeira em um dia e sugeriu carteiras do INSS. Costa alertou que alguns ativos tinham inadimplência elevada e questionou a taxa de originação, custo associado aos contratos.

Na sequência, Costa perguntou se seria possível manter as demais taxas para reduzir a necessidade de explicações dentro do BRB. Vorcaro respondeu: “dou um jeiro (jeito).” Depois, afirmou que precisava concluir a operação e assumiria o prejuízo. Costa sugeriu que eventuais perdas fossem quantificadas e compensadas em operações futuras do próprio BRB.

Em 31 de agosto de 2024, Vorcaro reclamou de atrasos do banco. Costa explicou o perfil de alto risco dos papéis. Para a PF, as mensagens posteriores, nas quais os dois afirmaram estar juntos, indicam uma relação além da negociação de carteiras financeiras. O relatório policial afirma que eles se viam como parceiros de projetos voltados, entre outras tarefas, à compra do Master pelo BRB.

Negociação sem documentação

Em 11 de março de 2025, 17 dias antes do anúncio da compra do Master pelo BRB, os dois conversaram sobre imóveis e sobre a permanência de Vorcaro no negócio. Costa disse que continuava disponível para transações, mas ressaltou que não havia negócio sem documentação. A PF interpretou a troca como sinal de que uma operação não avançava por falta de documentos.

Vorcaro afirmou então que era preciso avançar e regularizar posteriormente o que estivesse faltando. Para a Polícia Federal, ele estaria tentando convencer Costa a realizar operações mesmo com falhas documentais.

Após o anúncio da compra, em 18 de abril, Costa disse que queria visitar o Banco Master em São Paulo. Vorcaro respondeu que ele poderia ir qualquer dia e afirmou: “Sinta como se fosse seu o banco”, acompanhado de um emoji de risada. Costa respondeu que o banco nunca deixaria de ser de Vorcaro.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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