A intenção de investimento da indústria recuou 1,3 ponto em setembro, para 51,3 pontos, segundo a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O resultado é o menor do indicador desde agosto de 2020 e representa a quarta queda consecutiva, em uma sequência iniciada em maio. Desde então, o índice acumula baixa de 3,5 pontos.
Para Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o resultado combina a perda de ritmo da atividade industrial com o aumento das incertezas. “A queda expressiva da intenção de investimento reflete um quadro que a gente já vem acompanhando de perda de ritmo da atividade industrial”, afirmou.
As quatro medidas de expectativa da indústria recuaram em setembro. A projeção para a demanda por produtos caiu 1,4 ponto, para 51,2 pontos. O indicador de compra de insumos e matérias-primas diminuiu 0,8 ponto, para 50,4 pontos. A expectativa para a quantidade exportada baixou 0,6 ponto, para 48,9 pontos, enquanto a previsão para o número de empregados recuou 0,2 ponto, para 49,2 pontos.
As expectativas para demanda e aquisição de insumos permaneceram acima de 50 pontos, sinalizando previsão de crescimento nos próximos seis meses, embora em ritmo menor que o projetado em agosto. Já as perspectivas para exportações e emprego indicaram recuo mais intenso.
Produção e capacidade instalada
O índice de evolução da produção industrial caiu 4,7 pontos em agosto, de 51 para 46,3 pontos. Com isso, ficou abaixo de 50 pontos, faixa que indica retração da produção em relação a julho. Foi o pior resultado para agosto desde 2015.
Nos últimos 11 anos, o indicador ficou abaixo de 50 pontos em agosto apenas duas vezes: em 2025 e em 2026. Azevedo relacionou o resultado à queda contínua da demanda por bens industriais e às incertezas externas e internas. Segundo ele, a proximidade das eleições aumenta a cautela das empresas para investir, produzir e contratar.
A Utilização da Capacidade Instalada recuou 1 ponto porcentual em agosto, para 69%, ficando 2 pontos porcentuais abaixo da média do mês. O índice de evolução do número de empregados caiu 0,4 ponto, para 48,2 pontos.
O índice de evolução dos estoques diminuiu 1,5 ponto, de 51 para 49,5 pontos. O indicador de estoque efetivo-planejado avançou 0,2 ponto, para 50,4 pontos, mantendo os estoques em linha com o planejado pelas empresas.
A CNI consultou 1.403 empresas entre 1º e 11 de setembro: 587 pequenas, 487 médias e 329 grandes.








