São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Greve se espalha por USP, Unicamp e Unesp com foco em moradia e bolsas

Estudantes das três universidades estaduais paulistas cobram mais recursos, assistência estudantil e mudanças na gestão das instituições.

Estudantes da USP, Unicamp e Unesp ampliam greve por permanência estudantil e denunciam sucateamento da educação pelo governo Tarcísio

Estudantes da USP, da Unicamp e da Unesp estão em greve por medidas de permanência estudantil, moradia, bolsas e financiamento das universidades. O movimento começou na USP há mais de um mês e se expandiu para a Unicamp e para unidades da Unesp em Bauru, Marília e na capital paulista.

Uma marcha está prevista para a próxima quarta-feira (20), com saída da USP em direção ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Os estudantes pretendem cobrar mais investimentos nas universidades e contestar o que classificam como precarização da educação pública durante a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Impasse na USP

Na USP, a mobilização ocorre em meio a um impasse entre estudantes e reitoria. Pedro Chiquitti, estudante de História e diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE-USP), afirmou que, mesmo após duas mesas de negociação, as decisões da administração têm sido “bastante unilaterais”.

A tensão aumentou depois da desocupação da reitoria pela Polícia Militar, que levou à detenção de quatro estudantes e deixou feridos no domingo (10). Chiquitti também disse que os estudantes estavam há 15 dias sem comunicado da reitoria, apesar de pedidos encaminhados por meios formais.

Na quarta-feira (13), a USP anunciou a criação de uma Comissão de Resolução de Conflitos, após pressão de mais de uma centena de docentes que haviam declarado apoio à greve. Os estudantes receberam a iniciativa com desconfiança. Paralelamente, deputados ligados ao MBL protocolaram um projeto de lei que prevê expulsão ou impedimento de matrícula para estudantes envolvidos em ocupações.

Adesão na Unicamp e na Unesp

Na Unicamp, ao menos 20 cursos aderiram à paralisação. As reivindicações incluem melhores condições na moradia estudantil, reajuste das bolsas e oposição à terceirização de serviços como limpeza e o Restaurante Universitário. Os estudantes também pedem um cronograma de concursos e a ampliação imediata dos auxílios de permanência.

A reitoria informou que as atividades administrativas e de pesquisa seguem dentro da normalidade possível e marcou uma reunião para a próxima segunda-feira (18) com lideranças estudantis. Também comunicou a compra de um terreno de 44 mil metros quadrados em Barão Geraldo, com investimento de R$ 20 milhões destinado à expansão da moradia estudantil.

Na Unesp, a greve avançou em Bauru, Marília e no Instituto de Artes, na capital. Os estudantes apontam insuficiência dos auxílios diante dos custos de vida nas cidades universitárias. Em Bauru, a paralisação alcança cursos da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design e da Faculdade de Ciências. Em Marília, a mobilização se concentra na Faculdade de Filosofia e Ciências. No Instituto de Artes, estudantes e parte dos docentes reivindicam reformas no prédio, que apresenta infiltrações e falta de equipamentos básicos.

A Unesp informou que destinou R$ 110,7 milhões para políticas de permanência estudantil em 2026 e que, em 2025, atendeu 7.746 estudantes com algum tipo de auxílio. A universidade também afirmou que 17 unidades possuem restaurantes universitários.

Financiamento das estaduais

As três mobilizações buscam pressionar o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) por uma revisão do repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal fonte de financiamento das instituições. Os estudantes defendem que a expansão das vagas seja acompanhada de aumento proporcional nos recursos para assistência estudantil.

A Unesp declarou que o orçamento de 2026 foi elaborado com déficit de R$ 189 milhões, coberto por superávit financeiro. As despesas foram fixadas em R$ 4,98 bilhões, enquanto as receitas somam R$ 4,79 bilhões. A instituição também afirmou reconhecer o direito de manifestação dos alunos e disse que as unidades podem alterar o calendário escolar se as aulas forem comprometidas.

A USP informou que seus posicionamentos estão em notas oficiais. Em comunicados, defendeu a reintegração de posse da reitoria e mencionou a Comissão de Moderação e Diálogo Institucional. Na quinta-feira (14), o Cruesp publicou uma nota em defesa do pluralismo, da diversidade de opiniões e do espírito democrático e republicano.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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