São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Flávio Bolsonaro foi confrontado por Tralli e Renata em ao menos 6 momentos

Durante entrevista, candidato foi questionado sobre golpe de Estado, urnas, clima, filme, tarifaço e Adriano da Nóbrega.

Jornal Nacional: Flávio Bolsonaro mentiu e foi “corrigido” por Tralli e Renata Vasconcellos ao menos 6 vezes
Foto: Manoella Mello/Divulgação TV Globo

Durante sabatina na Globo, Flávio Bolsonaro mentiu ao ser confrontado com fatos sobre golpe de Estado, urnas eletrônicas, mudanças climáticas, financiamento de filme, tarifaço e Adriano da Nóbrega. Em um dos episódios, admitiu ter “falado errado”.

Flávio Bolsonaro (PL) entrou no estúdio da Globo na noite de sexta-feira (28) disposto a apresentar sua versão sobre os principais temas relacionados à candidatura à Presidência. Nos 40 minutos de entrevista com César Tralli e Renata Vasconcellos, porém, o candidato teve de enfrentar uma situação que costuma ser desconfortável para ele: os entrevistadores expuseram fatos que contrariavam declarações falsas feitas por ele em ao menos seis situações.

A análise da íntegra da entrevista foi realizada a partir dos vídeos e da transcrição. O cruzamento dos trechos com o conteúdo audiovisual identifica ao menos seis momentos em que Tralli ou Renata corrigiram, contestaram ou apresentaram informações que contrariavam diretamente afirmações de Flávio.

O levantamento considera como “correção” não apenas os casos em que os jornalistas afirmam literalmente “isso não é verdade”, mas também aqueles em que exibem documentos, dados, informações oficiais ou evidências científicas contrárias a uma declaração factual do candidato.

Momentos em que Flávio Bolsonaro foi desmentido

1. A tentativa de golpe não foi uma “farsa”

Um dos episódios mais contundentes ocorreu quando Flávio tentou desqualificar as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro.

O candidato classificou o processo como uma “grande farsa” e disse que havia sido criada uma “montagem” para condenar seu pai e os demais envolvidos.

Tralli não deixou a afirmação sem resposta. O jornalista contrapôs à versão de Flávio os elementos reunidos pela investigação da Polícia Federal, incluindo o documento encontrado na casa do coronel Mauro Cid que detalhava o plano para assassinar o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

Não se tratava, portanto, de uma simples divergência entre opiniões políticas. Havia um documento apreendido pela PF e incorporado à investigação, além de depoimentos e outros elementos que serviram de base para as condenações.

Ainda assim, Flávio manteve a tese de que tudo era uma armação, mesmo diante das provas aceitas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para condenar seu pai, Jair Bolsonaro (PL), a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado.

2. “A empresa venezuelana não fabricou as urnas”: o próprio Flávio admite a mentira

Esse foi o caso mais explícito da entrevista. Renata lembrou que Flávio havia dito que as urnas eletrônicas brasileiras eram produzidas por uma empresa venezuelana — informação já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A jornalista apresentou a declaração anterior ao candidato e perguntou sobre o que havia afirmado. Flávio recuou: “Falei errado, ela não fabricou as urnas”.

A admissão tem relevância porque não depende de interpretação da resposta. O próprio candidato reconheceu que havia mentido.

3. Aquecimento global: “saneamento básico” para disfarçar negacionismo

Outro episódio marcante ocorreu quando Renata perguntou a Flávio qual era sua posição sobre as mudanças climáticas. A questão era objetiva: diante das evidências científicas a respeito do aquecimento global, por que o assunto não aparecia de maneira mais clara em seu plano de governo?

Em vez de responder diretamente se reconhecia a existência do aquecimento global e a participação humana nesse processo, Flávio levou a resposta para saneamento básico, esgoto, lixões e eventos climáticos extremos. Renata retomou o ponto:

“Então, deixa eu só entender, então, o senhor acha que não tem aquecimento global? Não existe?”

Depois que Flávio respondeu mencionando ciclos climáticos, a jornalista voltou a confrontá-lo. “Isso não é negar as evidências científicas, candidato?”

Nesse caso, portanto, não havia apenas “opiniões diferentes”. A existência do aquecimento global e a influência humana sobre o clima são questões científicas apoiadas por evidências acumuladas.

4. A carta a Trump e o Tarifaço

O quarto episódio diz respeito ao tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump ao Brasil. Flávio tentou apresentar sua atuação nos Estados Unidos como uma iniciativa voltada a cancelar as tarifas e proteger empresas brasileiras.

Renata, no entanto, recorreu ao documento apresentado pelo próprio candidato para apontar uma diferença central: a carta não solicitava o encerramento da investigação nem o cancelamento imediato da medida; pedia o adiamento de sua aplicação.

A jornalista foi explícita: “Na carta (…) não se pede (…) que se encerre a investigação. Pede-se adiar a implementação da medida”. Ela também acrescentou que a investigação citada na carta já havia sido concluída.

Flávio tentou defender sua interpretação, mas o conteúdo do documento apresentado por Renata contrariava a forma como ele havia descrito sua atuação.

5. A prestação de contas do filme “Dark Horse”

O primeiro grande bloco da entrevista tratou da relação de Flávio com Daniel Vorcaro e do financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

Flávio afirmou que a prestação de contas do projeto havia sido realizada e que as informações estavam disponíveis ao público.

Tralli apresentou, então, um contraponto: havia sido informado que o perito contratado para examinar os dados não teve acesso ao fundo americano e não conseguiu esclarecer completamente a origem e o destino dos recursos.

Assim, a questão não era apenas verificar se algum documento havia sido publicado, mas saber se o material disponível era suficiente para esclarecer a origem e o percurso dos R$ 61 milhões relacionados ao financiamento.

A discussão surgiu justamente quando Flávio tentou encerrar o assunto da prestação de contas como se ele já estivesse definitivamente esclarecido. O candidato também se recusou a apresentar o suposto “contrato” com Daniel Vorcaro, que havia prometido no dia 19 de maio.

6. Adriano da Nóbrega já era alvo de acusações quando foi homenageado

O sexto caso envolve Adriano da Nóbrega, apontado como líder do Escritório do Crime, braço de extermínio da milícia de Rio das Pedras, morto em 2020.

Questionado sobre a homenagem que concedeu a Adriano, Flávio afirmou que, naquele momento, ele era considerado um policial de destaque e que “não tinha feito absolutamente nada de errado”.

Renata contrapôs a informação de que Adriano já estava preso por homicídio e era alvo de acusações graves naquele período.

O ponto é relevante porque a defesa de Flávio depende justamente da ideia de que as acusações contra Adriano teriam surgido depois da homenagem. A intervenção de Renata contestou essa cronologia. Além disso, a jornalista lembrou a contratação de parentes do miliciano para cargos comissionados no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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