São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Delator diz à PGR que transferiu US$ 12,3 milhões para fundo ligado a filme

Antonio Carlos Freixo Júnior afirmou que os repasses ao Havengate foram feitos a pedido de Daniel Vorcaro entre fevereiro e setembro de 2025.

Dark Horse: Delator confirma 7 pagamentos para fundo de advogado de Eduardo Bolsonaro, diz jornal
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O operador financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, afirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que realizou sete transferências, no total de US$ 12,3 milhões, equivalentes a cerca de R$ 69 milhões, para o fundo Havengate. Segundo ele, os pagamentos foram solicitados pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Com sede nos Estados Unidos, o Havengate é administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, que é próximo de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O fundo financiou “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro cuja estreia está prevista para depois das eleições deste ano.

Os repasses foram feitos entre fevereiro e setembro de 2025. A sétima operação, no valor de US$ 1,66 milhão, cerca de R$ 9 milhões na época, já havia sido divulgada. Embora o destino declarado dos recursos fosse o filme, a Polícia Federal (PF) e a PGR apuram se uma parcela também custeou a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Ele se mudou para o Texas em fevereiro de 2025 e afirmou que sofria perseguição política no Brasil.

Em seu depoimento, Mineiro disse ainda que entregou dinheiro em espécie, inclusive em malas, a pessoas indicadas por Vorcaro. O operador declarou não saber para que os valores foram utilizados.

Nesta terça-feira (8), às 14h, os advogados de Mineiro irão ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A reunião tratará da voluntariedade, da regularidade e da legalidade da colaboração, antes da decisão sobre a homologação do acordo.

Despesas do filme

Uma perícia privada encomendada pela Go Up Entertainment estimou o orçamento de “Dark Horse” em US$ 13,39 milhões, ou R$ 75,18 milhões, conforme a cotação adotada pelo perito Anísio Costa Castelo Branco. O levantamento indicou que 72% das despesas ocorreram nos Estados Unidos e 28% no Brasil. Entre as cinco etapas do projeto, somente as filmagens foram feitas no Brasil.

O documento registra US$ 2,69 milhões na etapa inicial, chamada “soft production”, US$ 2,66 milhões na pré-produção, US$ 1,97 milhão na produção, US$ 1,96 milhão na pós-produção e US$ 383,2 mil no desenvolvimento.

No mês passado, a PF solicitou à Go Up informações sobre aspectos financeiros, contratuais e operacionais do filme. A produtora enviou a resposta na última sexta-feira (4). A empresa nunca lançou um filme nos cinemas brasileiros.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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