SÃO PAULO — O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, intensificou as críticas aos envolvidos no caso do Banco Master após a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento reúne mensagens entre Daniel Vorcaro, fundador do banco, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A decisão de retirar o sigilo foi tomada pelo ministro André Mendonça na terça-feira (1).
Caiado afirmou que Moraes não teria mais condições de permanecer no STF e classificou como insustentável o nível de problemas que, segundo ele, alcança a Corte e outros poderes. O candidato também elogiou Mendonça e pediu que o ministro mantivesse a condução das apurações. Depois, porém, foi revelado que Mendonça havia se encontrado secretamente com Vorcaro em março de 2025.
Em visita ao Mercado Municipal de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, Caiado também comentou a relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Para o candidato, o senador não poderia tratar o episódio como encerrado. “Você não pode ter um candidato que a cada dia aparece uma surpresinha”, afirmou.
Mais tarde, em uma sabatina, Caiado voltou a dizer que não via possibilidade de Moraes continuar no Supremo. Segundo ele, a permanência do ministro representaria um desrespeito à sociedade e exigiria uma reação da Corte diante de suspeitas de corrupção. O candidato também defendeu que ministros do STF tenham idade mínima de 60 anos para assumir o cargo.
Segurança e jornada de trabalho
Caiado se posicionou contra a obrigatoriedade de câmeras corporais em operações policiais. Ele afirmou que agentes precisam de liberdade para agir em confrontos e comparou essas ocorrências a um “campo de guerra”. Na avaliação do candidato, o uso do equipamento pode interferir em abordagens e operações.
Ao ser questionado sobre a denúncia contra o coronel Edson Raiado, acusado de executar três pessoas, Caiado defendeu que casos de confronto sejam analisados por uma corregedoria técnica e independente. A polícia de Goiás sustenta que houve tiroteio, enquanto o Ministério Público afirma que ocorreu uma execução. O candidato disse que, se Raiado tiver cometido irregularidades, deve responder por elas, sem que o caso seja usado para generalizar a atuação de toda a polícia.
Sobre a escala 6x1, Caiado rejeitou a proposta de extinção, mas declarou apoio à escala 5x2, desde que a mudança considere os diferentes setores da economia e os efeitos sobre pequenas e microempresas.
O candidato também defendeu a abertura de investigação sobre uma suposta negociação de propina atribuída a Vorcaro e que envolveria Gilberto Kassab, presidente do PSD e candidato a vice em sua chapa. Caiado afirmou que a apuração deve avançar mesmo quando atingir aliados e pediu a divulgação de informações mantidas sob sigilo pela Polícia Federal e pelo STF.
Propostas econômicas
Durante visita à Santa Casa da Misericórdia de São Paulo, Caiado apresentou o “Agiliza SUS”, proposta de contratação de serviços de Santas Casas e hospitais particulares para reduzir filas de cirurgias eletivas. Em outra agenda, no Mercado Municipal de Pinheiros, defendeu apoio a pequenos produtores rurais, com crédito direcionado conforme a produção e as necessidades de cada região. Também mencionou a compra de alimentos para escolas e asilos por meio do PAA.
Caiado anunciou Ratinho Júnior, governador do Paraná, como futuro ministro da Infraestrutura. A proposta inclui a integração de rodovias, ferrovias e hidrovias.
As declarações do candidato sobre Previdência tiveram divergências com as apresentadas por Roberto Brant, coordenador de seu programa de governo e porta-voz econômico. Enquanto Caiado afirma que não pretende alterar os valores de aposentadorias e benefícios, Brant disse que a equipe avalia interromper temporariamente, por dois ou três anos, aposentadorias, pensões, benefícios do INSS e transferências de renda para promover ajuste fiscal. Segundo ele, esses pagamentos consomem 60% da receita corrente líquida da União.
Brant também afirmou que ainda não há posição definitiva sobre uma nova reforma da Previdência. Disse que a equipe pretende reexaminar pontos da reforma tributária e que programas de crédito subsidiado do governo Lula seriam reduzidos para determinadas categorias. O assessor não detalhou quais seriam elas e afirmou que Caiado não tem uma política específica para pessoas e empresas endividadas.
Nas pesquisas divulgadas nesta semana, Caiado apareceu com 1% das intenções de voto no levantamento da Quaest e 2% no PoderData. Os dois estudos também simularam um segundo turno entre o candidato e o presidente Lula, com derrota de Caiado nos cenários apresentados.







