São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Brasil

UFRGS diz que não endossou projeto de poços da Corsan em Águas Claras

Universidade afirma que parecer citado no processo foi produzido por um professor, sem representar posição institucional sobre o aquífero.

UFRGS diz que não endossou projeto de poços da Corsan em Águas Claras

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) informou que não foi contratada pela Corsan Aegea para elaborar estudos favoráveis à exploração de água subterrânea em Águas Claras, distrito de Viamão. A posição consta do Ofício nº 0559/2026-GR, enviado em 4 de setembro ao Movimento em Defesa das Águas Claras.

A manifestação ocorreu após o movimento questionar a vice-reitoria sobre o uso, pela concessionária, de um parecer técnico assinado pelo professor Antonio Pedro Viero, do Instituto de Geociências, em documentos apresentados à Justiça. A universidade afirmou que não celebrou contrato com a Corsan cujo objeto fosse o parecer e que o documento não expressa uma posição institucional.

O caso está relacionado à Ação Civil Pública 5030068-89.2025.8.21.0039, movida desde setembro de 2025 pelas Associações Águas Claras e Lago Tarumã contra a perfuração de poços tubulares profundos na Área de Proteção Ambiental do Banhado Grande.

Contrato e natureza do parecer

O documento analisado pela universidade, intitulado Análise dos estudos hidrogeológicos realizados no distrito de Águas Claras, município de Viamão, RS, foi datado de 24 de setembro de 2025 e elaborado por Viero em um projeto de extensão chamado Geoambiental – Serviços de Geologia Ambiental. A iniciativa é registrada sob o número IAP-003144 e conta com apoio administrativo e financeiro da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a Faurgs.

Segundo a vice-reitoria, a remuneração decorreu do Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria número 0098/2026, firmado entre a Corsan e a Faurgs. A universidade não é parte do contrato. O objeto é a prestação de assessoria técnica em geologia, geologia ambiental e hidrogeologia em todo o território do Rio Grande do Sul, sem previsão de defesa de um modelo específico de exploração de mananciais.

A UFRGS também declarou que o parecer é uma manifestação técnico-científica de responsabilidade pessoal do autor. Conforme o ofício, a universidade não emite laudos ou pareceres científicos como pessoa jurídica; essa atribuição cabe exclusivamente ao reitor, de acordo com o Estatuto da instituição.

A vice-reitoria acrescentou que Viero não foi designado para representar a universidade na audiência técnica de 29 de maio de 2026. Ele participou como coordenador do projeto de extensão vinculado à fundação de apoio. Por isso, referências a um parecer da UFRGS no processo devem ser compreendidas como menções a um trabalho produzido por um docente em projeto de extensão, e não como manifestação oficial da instituição.

Sem posição científica oficial

Sobre a existência de outros grupos de pesquisa que corroborassem as conclusões do parecer, a universidade respondeu que não possui posição científica institucional sobre a hidrogeologia do Aquífero Águas Claras. Também informou que não submete pareceres individuais à validação ou contestação de seus grupos de pesquisa.

A instituição relacionou essa prática à liberdade de pesquisa, ao pluralismo de ideias e à autonomia didático-científica das universidades. Cada pesquisador responde pelas conclusões que assina, enquanto os grupos permanecem livres para produzir análises próprias, inclusive a pedido de outras entidades.

O ofício também mencionou contratos encerrados entre a Corsan e a universidade, relacionados ao diagnóstico ambiental da Estação de Tratamento de Esgoto de Osório, na Lagoa dos Barros, e ao estudo de abatimento de cargas para a Região Metropolitana de Porto Alegre. Nenhum deles, segundo a UFRGS, tem relação com o Aquífero Águas Claras. Foram citados ainda dois contratos vigentes entre a Corsan e a Faurgs para o monitoramento da qualidade da água da Lagoa dos Barros e da Bacia Hidrográfica do rio Tramandaí.

O projeto da concessionária prevê 26 poços para captação de água do Aquífero Águas Claras. Até junho deste ano, seis haviam sido perfurados. Em junho de 2026, a juíza Patrícia Antunes Laydner autorizou a retomada de intervenções na adutora que ligaria os poços à rede urbana, mas manteve proibidas a captação e a distribuição da água extraída.

Iliete Citadin, da coordenação do Movimento em Defesa das Águas Claras, afirmou que a resposta da vice-reitoria diferencia a opinião técnica de um pesquisador de uma posição oficial da universidade. Para o movimento, essa distinção deve ser considerada no processo judicial.

A Corsan Aegea foi procurada para comentar as informações, mas não havia se manifestado até o fechamento do texto. O espaço permanece aberto para a posição da empresa.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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