A trajetória de Beatriz Hamamoto Sobral mostra como o pole dance pode se tornar uma atividade profissional. Ela começou a praticar em 2017, aos 20 anos, depois de experimentar uma aula aos 16. O que inicialmente era uma fonte complementar de renda passou a superar os ganhos obtidos com trabalhos de tradução. Hoje, Beatriz tem nove anos de prática, sete anos como professora e três anos à frente do próprio estúdio.
Uma prática com diferentes caminhos
Instrutora e empreendedora, Beatriz afirma que ainda escuta comentários que associam automaticamente praticantes de pole dance ao trabalho como stripper. Para ela, a falta de informação reduz uma atividade que envolve força, técnica, flexibilidade, preparo físico e expressão corporal a uma única imagem.
O pole dance combina dança, acrobacias, giros, figuras, transições, musicalidade e expressão corporal. Há também o pole esporte, vertente que prioriza força, resistência, execução técnica e desempenho físico. Em ambas, a evolução depende de progressão, preparo muscular e orientação adequada.
A relação histórica com a sensualidade não precisa ser apagada, segundo Beatriz. A modalidade passou por diferentes formas de performance corporal, entre elas o burlesque, o circo e o entretenimento erótico. O problema está em usar essa trajetória para definir todas as pessoas que praticam ou trabalham com pole. Uma pessoa pode atuar em um clube de strip, enquanto outra pode ser professora, atleta ou performer em espetáculos.
Ensino exige preparação
A atividade profissional também enfrenta a desvalorização associada à dança e ao ensino. Como os movimentos podem envolver suspensão do corpo, força, flexibilidade e níveis variados de complexidade, a instrução exige conhecimento técnico e atenção às características de cada aluno.
Quem ensina precisa dominar progressões, respeitar limites individuais e compreender as necessidades de diferentes corpos. “A evolução deve acontecer de maneira gradual, evitando sobrecargas e possíveis lesões”, diz Beatriz.
Corpo, movimento e inclusão
Além do condicionamento físico, as aulas trabalham mobilidade, coordenação, resistência, postura, consciência corporal e expressão. De acordo com Beatriz, muitos alunos chegam motivados por questões estéticas, mas passam a observar o próprio corpo por suas capacidades, conquistas e possibilidades de movimento.
A prática pode contribuir para autoestima, autoconfiança, redução do estresse e desenvolvimento da expressão pessoal. Também não exige um tipo físico específico: pessoas de diferentes idades, biotipos e níveis de condicionamento podem começar, desde que respeitem seus limites e tenham acompanhamento adequado.
Embora seja praticado majoritariamente por mulheres, o pole dance também reúne homens em propostas esportivas e artísticas. A modalidade não está limitada a um gênero ou padrão corporal.
Visibilidade para ampliar o reconhecimento
A presença do pole dance em escolas de dança, teatros, competições, eventos, shows e espetáculos é apontada por Beatriz como um caminho para ampliar a percepção do público. A proposta não é negar a sensualidade nem a história da modalidade, mas reconhecê-la como uma entre várias formas de expressão.
Para os profissionais, o reconhecimento depende de evidenciar o trabalho envolvido em cada movimento: técnica, estudo, planejamento e responsabilidade. Com maior contato com essa diversidade, a prática pode ser compreendida também por suas dimensões esportiva, artística, acrobática e de autoconhecimento.







