São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Brasileiros compartilham dados sensíveis com IA apesar de reconhecer riscos de fraude

Levantamento da Avast mostra que confiança para identificar falsificações convive com o envio de documentos, mensagens e currículos a chatbots.

Brasileiros compartilham dados sensíveis com IA apesar de reconhecer riscos de fraude

A disposição dos brasileiros para compartilhar dados com ferramentas de inteligência artificial contrasta com a percepção de que eles conseguem identificar conteúdos falsos. De acordo com pesquisa da Avast, 70% dos adultos já enviaram ou consideraram enviar informações sensíveis a sistemas de IA, enquanto 73% afirmam ter confiança para reconhecer uma falsificação produzida por essa tecnologia.

O levantamento integra o relatório Avast 2026 Safe Tech e ouviu 1.000 adultos brasileiros em uma pesquisa online da Dynata, realizada entre 29 de maio e 12 de junho de 2026. A Avast denomina essa diferença entre percepção e comportamento de armadilha da confiança na IA.

A exposição inclui documentos que podem reunir informações profissionais e pessoais. Em cada caso, 30% dos entrevistados disseram já ter compartilhado ou considerado compartilhar documentos de trabalho e capturas de tela de mensagens privadas ou e-mails com um chatbot. Currículos foram mencionados por 28% dos participantes.

Para Iskander Sanchez-Rola, diretor sênior de IA e Inovação na Gen, chatbots não devem ser tratados como confidentes. Antes de inserir informações privadas, os usuários precisam verificar como cada ferramenta processa, armazena e utiliza os dados recebidos.

Sinais de fraude ainda são ignorados

A capacidade declarada de reconhecer golpes também não impede que alertas conhecidos sejam deixados de lado. Metade dos brasileiros ouvidos apontou como mais fácil de ignorar uma oferta boa demais para ser verdade. Outros 45% podem desconsiderar pedidos de informações pessoais apresentados como necessários “apenas para confirmar” algo, e 37% admitem que podem não reagir quando há pressão para decidir rapidamente.

Esses recursos — promessa excessivamente vantajosa, solicitação de dados e urgência — estão entre as estratégias usadas em golpes digitais. O reconhecimento de que um conteúdo foi criado por IA, portanto, não encerra a avaliação sobre a tentativa de fraude, segundo Michal Salat, diretor de Inteligência de Ameaças da Gen Threat Labs.

Um relatório de ameaças da Gen indica que a IA esteve envolvida em dezenas de milhões de interações em vídeo analisadas no mundo durante o primeiro semestre de 2026. Aproximadamente uma em cada 30 foi sinalizada como golpe.

O consumo de histórias sobre fraudes também é disseminado. A Avast informa que 94% dos entrevistados já assistiram ou ouviram conteúdos sobre golpes em formatos semelhantes a true crime. Para 67%, esse material aumentou a atenção no cotidiano; 48% o usaram para conversar sobre fraudes com amigos, parceiros ou familiares.

A Avast recomenda reduzir o compartilhamento automático de informações, desconfiar de situações que exigem decisões rápidas e transmitir alertas sobre novos golpes a outras pessoas.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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