A Apple desenvolveu um processo de fabricação que mede e ajusta individualmente as dobradiças do iPhone Duo. A peça reúne mais de 100 componentes minúsculos, muitos produzidos com precisão de apenas alguns micrômetros, em vez de depender exclusivamente de métodos tradicionais de usinagem.
A etapa de correção começa depois da montagem. Cada dobradiça passa por uma varredura a laser da superfície, realizada com tecnologia confocal. O sistema identifica desvios muito pequenos, que não são visíveis a olho nu, e gera dados usados nos ajustes seguintes.
Com essas informações, uma impressora 3D aplica até 25 camadas adicionais de material fotopolímero microscópico nas áreas que apresentam ondulações ou outras imprecisões. O método permite adaptar cada componente às suas características específicas, em vez de produzir peças idênticas para serem encaixadas indistintamente nos aparelhos.
Dados para o alinhamento
A inteligência artificial é usada para analisar os dados do processo e determinar a melhor maneira de encaixar cada dobradiça na estrutura do telefone. O objetivo é manter o alinhamento preciso entre os componentes, dentro de um mecanismo que reúne muitas peças móveis.
Johny Srouji, chefe da divisão de hardware da Apple, afirmou durante o evento que o ponto central está na integração dessas tecnologias em um único processo. A IA processa os dados para orientar a junção e o alinhamento; o laser mede as superfícies; e a impressão 3D compensa os desvios com camadas muito finas de material.
A precisão é relevante porque a dobradiça é submetida continuamente aos movimentos de abertura e fechamento. Um desalinhamento pode afetar a maneira como o aparelho abre e fecha ou a planicidade da tela quando ela está desdobrada.
O processo de fabricação e montagem ajuda a explicar por que apenas algumas centenas de unidades do iPhone Duo são produzidas por dia. Em um dispositivo que pode ser dobrado milhares de vezes, a Apple concentra parte dos desafios de engenharia nos detalhes internos da dobradiça.







