A expansão das fintechs no Brasil entra em uma nova etapa, marcada pela busca de sustentabilidade financeira, eficiência operacional, gestão de riscos e maior aderência regulatória. Depois de mais de uma década de crescimento, ser digital e inovadora deixou de ser suficiente para garantir relevância no sistema financeiro.
O número de fintechs em operação no país passou de 1.158, em 2020, para 2.048 em 2025, alta de 77%, segundo levantamento da A&S Partners. O crédito concedido pelas empresas analisadas pela PwC e pela Associação Brasileira de Crédito Digital também cresceu 68% em 2025, na comparação com o ano anterior.
Da expansão à sustentabilidade
A nova fase exige que as empresas conciliem inovação com governança, controles internos, segurança, conformidade regulatória e disciplina financeira. A evolução das regras do Banco Central, incluindo as aplicáveis ao Banking as a Service, eleva as exigências para instituições de pagamento, participantes do sistema financeiro e empresas que oferecem serviços financeiros.
Com estruturas mais niveladas em temas como gestão de riscos, segurança e responsabilização, as fintechs precisarão definir estratégias para avançar. Parte do setor deve buscar escala por meio de alianças e integração com instituições tradicionais. Outras empresas podem se concentrar em nichos específicos, enquanto algumas devem priorizar tecnologia, automação e inteligência artificial para reduzir custos e elevar a produtividade.
Os dados recentes indicam mudanças também na forma de financiamento e nas prioridades tecnológicas. Na pesquisa da PwC referente a 2024, 52% das participantes haviam investido em inovação de produtos, e 46% usavam capital próprio como principal fonte de recursos. Na edição com dados de 2025, a parcela que recorria principalmente a capital próprio era de 51%, enquanto 96% pretendiam implementar ou ampliar soluções de inteligência artificial nos dois anos seguintes.
A primeira fase do setor foi caracterizada pelo desafio aos modelos tradicionais. O próximo ciclo dependerá da capacidade de transformar inovação em negócios sólidos, confiáveis e duradouros dentro de um sistema financeiro mais integrado, regulado e eficiente. A mudança não representa o fim das fintechs, mas da ideia de que a presença digital, isoladamente, basta para sustentar uma empresa.








