São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

PF investiga emenda de Flávio Bolsonaro a ONG ligada ao entorno dos Brazão

Repasse de R$ 199 mil ocorreu um mês após contato de assessor de Domingos Brazão com o gabinete do senador.

PF apura emenda de Flávio Bolsonaro para ONG suspeita de esquema comandado pelos irmãos Brazão, condenados pela morte de Marielle Franco

A Polícia Federal investiga uma emenda parlamentar de R$ 199 mil destinada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), ONG localizada na Taquara, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A entidade é suspeita de integrar um esquema de desvio de verbas públicas atribuído aos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, condenados pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

A transferência foi realizada em novembro de 2023, cerca de um mês depois de Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, procurar o gabinete de Flávio Bolsonaro. Policial militar da reserva e assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Peixe também foi condenado por organização criminosa relacionada ao assassinato de Marielle.

Repasse e mensagens

A quebra do sigilo telefônico de Peixe identificou mensagens trocadas com uma assessora do senador em 24 de outubro de 2023. Em 29 de novembro, os R$ 199 mil já haviam sido depositados na conta da Ifop.

A investigação aponta que o mecanismo de captação de recursos públicos por meio de ONGs movimentou pelo menos R$ 268 milhões entre 2020 e 2024, com emendas de diversos parlamentares. Em 6 de novembro de 2024, Peixe voltou a procurar a assessora de Flávio e pediu novos recursos para que “o projeto não termine”. Não há registro de outros repasses.

Fundada em 2008, a Ifop recebeu em 2023 o título de utilidade pública da Câmara Municipal do Rio, concedido pelo então vereador Waldir Brazão (União). Em agosto de 2024, a organização também recebeu uma emenda de R$ 1,5 milhão de Chiquinho Brazão, que ainda era deputado federal antes de ser cassado.

Flávio Bolsonaro afirmou que a verba apoiaria um projeto esportivo para crianças vulneráveis e disse que “não é papel do parlamentar auditar como as emendas são utilizadas por terceiros”. A direção da Ifop negou ligação com Peixe ou com a família Brazão. Segundo a entidade, os recursos foram usados em aulas de futebol, com prestação de contas ao Ministério do Esporte e devolução dos saldos excedentes.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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