BRASÍLIA — A Polícia Federal encontrou, na churrasqueira da casa do senador Ciro Nogueira (PP), uma lista manuscrita com nomes de deputados federais associados a números e possíveis valores. A apreensão ocorreu em maio deste ano, durante o cumprimento de um mandado na 5ª fase da Operação Compliance Zero.
O papel tinha o título “Câmara”, em provável referência à Câmara dos Deputados, e foi incluído em um dos inquéritos relacionados ao caso Master. O sigilo desses inquéritos foi retirado na noite de sexta-feira, 11, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Nomes e valores
Segundo o relatório da PF sobre a operação no imóvel de Ciro Nogueira, no Lago Sul, em Brasília, uma funcionária afirmou aos agentes que recebeu o documento do próprio senador. A orientação, de acordo com o relato, era que a folha fosse queimada por conter “documentos antigos ou sem serventia”.
Entre as anotações aparecem “Arthur”, acompanhado do número 40, e “Hugo”, “Elmar”, “Luizinho” e “Adolfo”, cada um associado ao número 10. A PF suspeita que os registros correspondam, respectivamente, a Arthur Lira (PP), Hugo Motta (Republicanos), Elmar Nascimento (Uniao), Dr Luizinho (PP) e Adolfo Viana (PSDB). No fim da folha, aparecem os valores 8.750.000,00 e 2.187.500, sem explicação.
“Ao lado de cada nome, há números e, em seguida, valores (provavelmente), o que carece de esclarecimento”, afirma a PF no relatório.
A assessoria de Arthur Lira disse que o deputado desconhece as anotações e não pode responder pelo registro. As demais manifestações permanecem pendentes.
Investigação sobre o Banco Master
A operação apura suspeitas de irregularidades na relação entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, do Banco Master. Conforme as investigações, o senador teria atuado em favor do banqueiro ao apresentar uma proposta de emenda constitucional para elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
A suspeita é que Ciro tenha recebido pagamentos mensais de Vorcaro, entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, durante 2024 e 2025, em montante superior a R$ 6 milhões. O banqueiro também teria custeado viagens do parlamentar aos Estados Unidos e à França.
No imóvel, os agentes relataram sinais de elevado padrão econômico, incluindo vinhos e uísques de alto valor, bolsas de grife internacional e malas vazias com etiquetas em nome de terceiros. A PF levantou a possibilidade de uso das malas para transporte de valores.
Ciro negou ter apresentado integralmente a chamada “emenda Master”. Sua defesa afirmou repudiar qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas.







