São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

ICB teve tesoureiro que diz nunca ter exercido o cargo e atas com firmas divergentes

Documentos indicam diferenças em assinaturas de dirigentes do instituto ligado à produtora de “Dark Horse”, enquanto contratos e repasses são investigados.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado por Karina Ferreira da Gama, manteve por seis anos um tesoureiro que afirma nunca ter exercido a função. Documentos também mostram divergências entre assinaturas atribuídas a conselheiros e dirigentes em atas da entidade e em outros registros oficiais.

Jacio de Medeiros Dantas, eletricista de 64 anos, aparece como tesoureiro-geral do ICB em atas de gestões entre 2014 a 2021. Ele também é identificado como secretário de assembleias. Ao ser questionado, negou ter participado da organização ou de suas reuniões.

“Não, nunca [atuei como tesoureiro do ICB]. Até porque eu tenho outro trabalho”, afirmou Dantas. Segundo ele, seu nome foi incluído a pedido da mãe de Karina, Regina Ferreira da Gama de Nazaré, quando a empresária estruturava uma organização para um projeto de dança.

Dantas disse que não tinha contato com Karina havia anos e que apenas autorizou o uso de seu nome. Apesar disso, aparece nas listas de presença das assembleias. As assinaturas atribuídas a ele variam entre os documentos, e o eletricista afirmou não reconhecer duas delas quando recebeu as imagens.

Divergências em atas

Em 29 de setembro de 2014, Dantas aparece como secretário da assembleia que elegeu Karina para a presidência do instituto e como tesoureiro-geral na lista de presença. Em 2015, também consta como tesoureiro em uma alteração do estatuto.

As rubricas atribuídas a ele nesses documentos diferem das que aparecem em uma ata de 2 de outubro de 2017, referente a outra reforma estatutária, e em sua carta de renúncia, de janeiro de 2020. A comparação com assinaturas presentes em um processo judicial do eletricista indicou semelhança entre sua firma oficial e os registros de 2014 e 2015, mas não com os documentos de 2017 e 2020.

A ata de outubro de 2017 também apresenta divergências nas assinaturas de Rafael Tadeu da Silva Santanna e Karina Pereira Penha. Santanna aparece como secretário-geral de 2014 a 2017. Sua rubrica no documento de 2017 não coincide com a assinatura registrada na ata de 2014 nem com duas assinaturas encontradas em um processo judicial.

Penha teria assumido a secretaria-geral após a saída de Santanna. A assinatura atribuída a ela na ata de 2017 não corresponde à de uma procuração assinada em janeiro de 2023 para representação em um processo contra uma empresa.

Santanna disse inicialmente que não tinha contato com Karina Ferreira da Gama desde 2018. Depois, afirmou ter ficado surpreso com as divergências e disse não se lembrar de ter assinado atas ou outros documentos. Ele recebeu cópias dos registros, mas não voltou a responder.

Contratos e investigações

Em 2024, o ICB assinou com a Prefeitura de São Paulo, durante a gestão de Ricardo Nunes, do MDB, um contrato de R$ 108 milhões para instalar Wi-Fi público na capital. O acordo é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de irregularidades.

A Polícia Federal também investiga o possível desvio de recursos de emendas parlamentares destinados ao instituto. Entre os repasses está um total de R$ 2 milhões enviado pelo deputado federal Mario Frias, do PL, roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro produzida pela empresa de Karina.

O período em que Dantas aparece formalmente como responsável pela tesouraria coincide com a análise da Controladoria-Geral da União sobre recursos recebidos pelo ICB do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria. De R$ 11 milhões repassados ao instituto, ao menos R$ 2,4 milhões teriam sido superfaturados, segundo a CGU. A auditoria apontou recursos relacionados a sete estados e ao Distrito Federal.

Desde 2014, 12 pessoas ocuparam funções como conselheiros fiscais, secretários e tesoureiros. Esses cargos incluíam atribuições de movimentação financeira e participação em assembleias que elegeram e reconduziram Karina à presidência, concentrando nela o controle da organização.

Regina Ferreira da Gama de Nazaré, mãe de Karina, foi vice-presidente entre setembro de 2014 e setembro de 2017. Os demais integrantes citados nos documentos incluem profissionais de diferentes locais do Brasil, com grupos no Distrito Federal, em São Paulo e em Uberlândia, Minas Gerais.

O ICB e Karina Ferreira da Gama foram procurados, mas não responderam. Karina Pereira Penha confirmou que trabalhou na organização, sem comentar as diferenças entre as assinaturas ou o período em que ocupou o cargo. O espaço permanece aberto para manifestações.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5