A previsão de que “Dark Horse” só chegue ao circuito nacional em 2027 reduz a possibilidade de uso do filme nas campanhas eleitorais. A produção foi planejada para exibir Jair Bolsonaro em condição de liderança, apresentar o bolsonarismo como força ativa e associar Flávio Bolsonaro à disputa pela Presidência, mas deve estrear depois de conhecido o novo presidente.
O avanço do inquérito relacionado ao filme e a operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira, 10, alcançaram pessoas ligadas a Flávio e à produção. Entre os envolvidos está o deputado bolsonarista Mario Frias. As apurações também incluem emendas parlamentares e recursos públicos. O impacto político dependerá do que for encontrado.
Até o momento, as novas medidas não alteraram o cenário eleitoral. O principal desgaste atribuído a Flávio continua relacionado a um áudio em que Daniel Vorcaro pede R$ 130 milhões para o filme do pai. O valor supera, somados, os custos de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”. A avaliação é que esse episódio perdeu parte da força por ter deixado de ser uma novidade.
Disputa política
O texto também relaciona o caso às dificuldades de Luiz Inácio Lula da Silva na corrida eleitoral. Para recuperar posições, Lula precisaria de fatos novos e de revelações sobre a origem e o destino dos milhões pedidos por Flávio a Vorcaro. A questão central envolve saber para quem e para que os recursos teriam sido distribuídos, além da parcela que teria sido retida.
A decisão de Flávio Dino sobre o filme e a operação da PF ocorreram junto de outros movimentos no Supremo Tribunal Federal. Edson Fachin retirou o inquérito das fake news da relatoria de Alexandre de Moraes, anulou decisões de André Mendonça e Flávio Dino sobre a PF e marcou o julgamento sobre a investigação de Moraes. Essas medidas reduziram a pressão sobre o STF, mas, conforme a avaliação apresentada, dificilmente reverteriam o impacto negativo sobre Lula.
A nova reviravolta nas pesquisas ocorre em um momento considerado decisivo para a eleição. A campanha de Flávio não parece buscar novos episódios ligados ao filme, enquanto a de Lula tenta recuperar apoio no Rio, em Minas e em São Paulo, preservar a classe média no Nordeste e reconquistar eleitores independentes. A sanção da isenção das “blusinhas” e o fim da escala 6X1 também ficaram para depois das eleições.







