A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) minimizou os efeitos da decisão que retirou o sigilo da investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, produzido com recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro. O senador é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção nos repasses feitos pelo ex-dono do Banco Master para a produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
A investigação foi autorizada em julho pelo ministro André Mendonça, que também determinou a divulgação do inquérito relacionado ao caso do Master. Com a abertura dos documentos, foram identificadas as suspeitas formalmente levantadas pela Polícia Federal contra Flávio.
O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou nesta sexta-feira, 11, que o caso já havia sido exposto durante os últimos meses, desde a pré-campanha. Para ele, a repercussão já teria produzido o desgaste esperado. “Há 4 meses vocês da imprensa falam a respeito. E muitos já fizeram pré-julgamento”, disse.
Marinho voltou a afirmar que Flávio não administrou os recursos da produção. Também declarou que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República têm acesso às informações financeiras da produtora e defendeu rapidez na apuração. “Ninguém está acima da lei. Houve a suspeita, que apure”, afirmou.
Recursos para o filme
O caso veio a público em maio de 2026, após a divulgação de conversas e áudios sobre negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para viabilizar aportes de até R$ 134 milhões para a cinebiografia. Inicialmente, o senador negou contato com o banqueiro. Depois que foram divulgados registros nos quais cobrava parcelas atrasadas, admitiu as conversas e disse que os repasses eram investimento ou patrocínio privado legal.
Os valores financiaram mais de 90% dos R$ 65,7 milhões executados pela produtora Go Up Entertainment. A Polícia Federal e a PGR abriram apurações para verificar a origem do dinheiro e possíveis contrapartidas políticas.
O financiamento também é investigado em outro inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, que apura uma possível relação com o direcionamento irregular de emendas parlamentares. Nessa quinta-feira, 10, a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.
A operação atingiu o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a Go Up Entertainment. A PF apontou repasses suspeitos de R$ 1,4 milhão, feitos pelo parlamentar e por empresas contratadas pelo Instituto Conhecer Brasil diretamente à produtora. A investigação apura possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade documental e fraude em licitações.







