São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Caiado mantém influência na eleição de Goiás, mas enfrenta limites na disputa presidencial

Ex-governador apoia Daniel Vilela, enquanto Wilder Morais e Marconi Perillo tentam romper a continuidade do grupo político no Estado.

Caiado mantém influência na eleição de Goiás, mas enfrenta limites na disputa presidencial

Ronaldo Caiado continua como principal referência na disputa pelo governo de Goiás, apesar das dificuldades para transformar sua força regional em uma candidatura competitiva à Presidência. Fora do comando do Estado desde março, ele participa da campanha de Daniel Vilela, seu ex-vice e atual governador, que busca manter o grupo político no poder.

Caiado esteve nesta terça-feira em Aparecida de Goiânia, em um ato de apoio a Vilela, depois de se recuperar de uma pneumonia. Na semana anterior, participou do desfile cívico de 7 de Setembro, em Goiânia. A presença também se relaciona à candidatura de Gracinha Caiado, sua mulher, ao Senado pelo grupo de Vilela.

A pesquisa AtlasIntel divulgada no dia 3 mostra Vilela com 43,5% das intenções de voto, contra 20,1% de Wilder Morais, do PL, e 16,1% de Marconi Perillo, do PSDB. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento foi registrado sob o protocolo GO-05293/2026.

A campanha de Vilela associa diretamente sua imagem à de Caiado. O ex-governador aparece em inserções do horário eleitoral como parceiro dos “todos os anos de governo” e como liderança capaz de garantir a continuidade das conquistas da gestão anterior. O slogan adotado é “É Daniel, é Caiado. Tudo junto e misturado.”

Para Guilherme Carvalho, doutorando em Ciência Política pela Universidade de Brasília e diretor-executivo da Métrica Viabilidade, a estratégia disputa não apenas a transferência da aprovação de Caiado, mas também o controle da coalizão construída durante sua gestão. O governo do ex-governador tem aprovação de 84% dos eleitores goianos, conforme pesquisa Quaest divulgada em 30 de julho de 2026.

Disputa pelo eleitorado de direita

O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás suspendeu, no final do mês passado, duas peças da propaganda de Vilela com participação de Caiado. O tribunal considerou que os anúncios ultrapassavam o resgate histórico e configuravam promoção eleitoral. As decisões foram derrubadas posteriormente.

Wilder Morais tenta se apresentar como alternativa ao grupo de Caiado e aproxima sua campanha do bolsonarismo. Sua propaganda mobiliza referências a fé, família, trabalho e campo, além de imagens ao lado de Jair e Flávio Bolsonaro. A campanha termina com o número 22.

Segundo Carvalho, Vilela e Wilder disputam parte do mesmo eleitorado de direita, embora baseiem suas campanhas em referências distintas. Para o pesquisador, a disputa entre o grupo de Caiado e o bolsonarismo em Goiás envolve a liderança desse eleitorado. “Não é um embate de projeto, não é um embate ideológico, é um embate por poder”, afirmou.

Marconi Perillo adotou uma estratégia diferente. Com cerca de 30 segundos por horário eleitoral, recupera realizações de seus quatro mandatos como governador, entre elas o HUGOL, a Universidade Estadual de Goiás, a Bolsa Universitária, os colégios militares e as Patrulhas Maria da Penha. Também passou a fazer críticas diretas ao grupo de Vilela.

Carvalho avalia que Perillo mantém trajetória e eleitorado conhecidos, mas enfrenta dificuldade para transformar a crítica ao governo em uma proposta de futuro. “Ele não consegue transmitir a sensação de que vai governar Goiás para o futuro”, disse.

Na corrida presidencial, Caiado encontra obstáculos para romper a polarização nacional. De acordo com Carvalho, o ex-governador não apresenta diferenciação suficientemente clara em relação aos principais nomes da direita e ainda é pouco conhecido fora de Goiás. Na pesquisa Atlas, aparece com 19,2% em seu Estado.

O cientista político afirma que a proximidade entre a plataforma de Caiado e a de Jair Bolsonaro dificulta a disputa pelo eleitorado que prioriza o candidato considerado mais competitivo contra o PT. “Caiado sempre foi uma liderança de nicho”, afirmou.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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