Uma força-tarefa do governo federal identificou 97 perfis no YouTube que usam inteligência artificial para se passar por médicos e outros profissionais de saúde. As contas divulgam informações falsas, incluindo promessas de curas e tratamentos sem comprovação científica.
A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o Google, controlador do YouTube, na terça-feira, 8. O órgão pediu a remoção das contas e a inclusão de alertas sobre os riscos de seguir recomendações feitas pelos personagens artificiais.
Perfis e medidas solicitadas
Os perfis foram localizados pelo programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde, que acompanha a desinformação sobre saúde na internet. De acordo com a pasta, os canais usam avatares com aparência humana, apresentam qualificações profissionais inventadas e adotam linguagem alarmista para dar credibilidade às mensagens.
Parte dos perfis é voltada especialmente à população idosa. Em alguns casos, os personagens são usados para promover produtos, livros digitais ou serviços pagos. O Ministério da Saúde afirmou que os conteúdos “atribuem qualificações profissionais fictícias” aos avatares.
A notificação estabelece prazo de 72 horas para que o YouTube retire o material identificado. Como alternativa, a plataforma deverá adotar rótulos e informações de contexto que deixem clara a natureza artificial dos personagens.
A AGU também solicitou uma avaliação de outros canais e vídeos listados no relatório do Ministério da Saúde, considerando as regras da plataforma para desinformação em saúde e conteúdo sintético. O pedido inclui ainda medidas para impedir a disseminação desse tipo de material.
A ação reúne a AGU, o Ministério da Saúde, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Ciência e Tecnologia. O Google informou que não comentará o caso.








