A técnica de destilação, usada para criar modelos menores a partir das respostas de sistemas maiores, está no centro de uma acusação dos Estados Unidos contra empresas chinesas de inteligência artificial. Segundo as autoridades americanas, o método teria sido aplicado de forma direcionada e em escala muito maior por essas companhias.
A destilação permite que um modelo aprenda a reproduzir comportamentos e capacidades identificados nas respostas de uma ferramenta mais avançada e cara. Com isso, o treinamento de um novo sistema pode exigir menos recursos. Os órgãos dos EUA afirmam, porém, que empresas chinesas usaram variantes de modelos desenvolvidos no país para treinar seus próprios produtos.
A acusação foi divulgada nesta terça-feira (8) em comunicado conjunto da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA), da Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) e do FBI. Entre as empresas mencionadas estão DeepSeek, Moonshot AI, Alibaba, MiniMax e StepFun.
“As empresas chinesas de IA estão realizando atividades agressivas, maliciosas e direcionadas de destilação em escala industrial”, afirmaram as autoridades no documento.
De acordo com os órgãos americanos, a atividade provavelmente ocorreu com conhecimento do governo chinês. As acusações aparecem em meio à disputa entre Estados Unidos e China pelo domínio da inteligência artificial.
Disputa tecnológica
O governo dos EUA se prepara para uma visita do presidente chinês, Xi Jinping, ao país no fim de setembro. Estados Unidos e China também planejam discutir riscos relacionados à segurança da IA em um diálogo previsto para meados deste mês.
Para as autoridades americanas, o uso de modelos estadunidenses pelas empresas chinesas acrescenta à disputa tecnológica uma acusação relacionada à redução dos custos de desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial.







