São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Augusto Cury chega a terceiro nas pesquisas após ensaio presidencial em 2009

Candidato do Avante aparece com 8% no Datafolha e 10% na Quaest, enquanto sua trajetória reúne livros, empresas e antiga aproximação com o PV.

Augusto Cury: estreante e surpresa da eleição, escritor flertou com candidatura à Presidência 17 anos atrás
Foto: TV Globo/Reprodução

Aos 68 anos e estreante em eleições, Augusto Cury aparece em terceiro lugar nas duas pesquisas mais recentes sobre a disputa presidencial, atrás de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O candidato do Avante registrou 8% das intenções de voto no Datafolha divulgado na quinta-feira (3) e 10% na Quaest publicada na quarta-feira (2). Cury tinha 2% na rodada anterior da Quaest, de 14 de agosto, e avançou seis pontos no Datafolha desde agosto.

O projeto presidencial não é inteiramente novo. Em 2009, Cury foi filiado ao Partido Verde (PV), que avaliou lançá-lo à Presidência nas eleições do ano seguinte. A candidatura não avançou, e ele passou a colaborar com a elaboração do programa de governo de Marina Silva, com atenção especial à educação.

Redes sociais e propostas

O crescimento nas pesquisas ocorreu junto com a expansão da presença de Cury nas redes sociais. O aumento repentino de seguidores levantou suspeitas em campanhas adversárias, mas o candidato nega irregularidades e atribui o interesse à sua candidatura a uma “revolução silenciosa”. Até o momento, não há processos relacionados ao tema no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O Índice de Popularidade Digital (IPD), calculado pela Quaest em uma escala de 0 a 100, subiu de 37,8 para 54,5 pontos. A Justiça Eleitoral permite o pagamento para ampliar o alcance de publicações de candidatos, desde que respeitadas as regras. A contratação de influenciadores e o uso de perfis falsos ou automatizados para inflar o engajamento são proibidos.

Cury afirma que, se eleito, pretende acabar com a possibilidade de reeleição. “Um cargo não pertence a um homem, a um ser humano, nem a uma família”, declarou. Na campanha de 2026, também defende maior integração entre o ensino médio e a formação técnica e profissionalizante, além de um modelo de ensino menos expositivo.

A proposta de ampliar a telemedicina no sistema público de saúde foi questionada por causa da ligação anterior do escritor com a Click Life. Até 2023, Cury aparecia como sócio e embaixador da empresa. Ele diz que não mantém mais relação com a companhia e que a experiência no setor mostrou a possibilidade de aplicar a tecnologia com baixo custo.

Em 2025, a Click Life participou de uma licitação do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), mas foi desclassificada por não apresentar uma certificação de Nível 3 da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS). A empresa contestou a decisão na Justiça. A liminar foi negada, e o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) rejeitou por unanimidade o recurso em fevereiro de 2026. O mandado de segurança principal ainda tramita.

Patrimônio, empresas e contratos

Conhecido por livros de desenvolvimento pessoal, Cury rejeita o rótulo de autor de autoajuda. Seu livro mais conhecido, “O vendedor de sonhos”, foi lançado em 2008 e adaptado para o cinema oito anos depois. Formado em Medicina, ele atuou como psiquiatra e psicoterapeuta e também se tornou empresário.

À Justiça Eleitoral, declarou patrimônio de R$ 242 milhões, distribuído entre imóveis, participações empresariais, ações, fundos de investimento, créditos e saldos bancários. Há 31 CNPJs ligados ao candidato ou a familiares, entre matrizes e filiais ativas e encerradas. Na base consultada, 23 apareciam como ativas: 17 em São Paulo, 5 em Minas Gerais e uma no Piauí.

Os negócios incluem educação, treinamento profissional, gestão emocional, publicação de livros, produção de conteúdo, agricultura, exploração florestal, imóveis, construção e participações societárias. Entre as atividades estão o cultivo de laranja, cana-de-açúcar e soja, a produção de eucalipto, a exploração de espécies madeireiras, o aluguel de imóveis e a administração de participações.

Foram localizados quatro registros de contratações públicas ligados a palestras de Cury. Em março, o Conselho Federal de Contabilidade contratou o Instituto Academia de Inteligência por R$ 110.436,23 para intermediar uma apresentação on-line. Em 2023, a Prefeitura de Ourinhos (SP) pagou R$ 63.931,81 por uma palestra no Seminário Anual do Magistério. Em 2011, a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) pagou R$ 19.700, e, em 2010, a Prefeitura de Candeias (BA) contratou o escritor por R$ 28.844,28. Os quatro registros somam R$ 222.912,32, sem correção pela inflação. Os documentos não apontam irregularidades.

Sete CNPJs identificados pertencem à Filadélfia Nature Participações e Empreendimentos. Em 2025, o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais indeferiu um pedido da empresa para cortar 233 árvores nativas isoladas na Fazenda Serra Branca. O órgão informou que a intervenção já havia sido realizada sem autorização. No ano anterior, também havia negado um pedido para suprimir 994 hectares de Cerrado.

Relação com a política

Cury nasceu em Colina, no interior de São Paulo. Seu pai, Salomão Jorge Cury, foi advogado, empresário, produtor rural e vereador, e um de seus irmãos, Salem Jorge Cury, tornou-se juiz federal. O escritor se apresenta como outsider, mas cresceu em uma família ligada à política e se aproximou desse universo em 2009.

José Luiz Penna, presidente do PV desde 1999, disse que o partido procurava um nome capaz de atrair eleitores. Cury demonstrou interesse, mas Marina Silva acabou escolhida após convite de Sarney Filho. O escritor rejeitou a definição de “guru” da ex-ministra e afirmou ser apenas um amigo que torcia por ela.

Mais de uma década depois, Cury retomou o projeto presidencial pelo Avante. Antes de definir a candidatura, conversou com Michel Temer, Gilberto Kassab e Aécio Neves (PSDB-MG). Para a vice, escolheu o ex-deputado federal Júlio Delgado.

Em entrevista, Cury disse que entrou na disputa para “pacificar esse país”. O ex-deputado Walter Feldman, que coordenou a campanha de Marina Silva à Presidência em 2014, afirmou que o escritor tem perfil ponderado e discurso mais moderado que o de outros candidatos.

A carreira literária começou em 1998, com “Inteligência Multifocal”. Em 2011, Cury havia publicado 28 obras. Em 2016, levantamento apontava 28 milhões de exemplares vendidos; em 2017, dados da Nielsen o identificaram como o autor brasileiro que mais vendeu livros no país naquele ano. O site oficial do escritor afirma que suas obras são publicadas em mais de 70 países e que ele ultrapassou 42 milhões de exemplares vendidos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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