SÃO PAULO — A investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo sobre a infiltração do PCC no transporte coletivo paulistano alcança as concessionárias responsáveis pelas linhas de bairro da capital. A operação realizada nesta quinta-feira (17) teve como alvo um mandado de prisão contra o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Milton Leite. Outras 15 pessoas foram presas, e 18 endereços foram submetidos a busca e apreensão.
O transporte coletivo da cidade é dividido em três lotes. O primeiro reúne veículos grandes que conectam os principais eixos; o segundo é formado por ônibus de médio porte que ligam bairros a corredores; e o terceiro concentra as linhas locais. É nesse último grupo que estão as empresas sob suspeita de manter algum tipo de relação com a facção, segundo a polícia e o MP-SP.
As antigas linhas locais da Transwolff são a exceção mencionada na investigação. Após o rompimento do contrato com a Prefeitura de São Paulo, elas passaram à responsabilidade direta da SPTrans. O contrato foi encerrado justamente por suspeitas de ligação da empresa com o PCC.
Ao todo, dez concessionárias operam o terceiro lote. A representação que fundamentou a operação também cita a UpBus, cujo contrato não está mais vigente. A Alfa Rodobus assumiu as linhas da empresa, e a polícia afirma que a sucessão indicaria a influência do crime organizado no setor.
Empresas citadas na investigação
No caso da antiga Transcap, hoje Auto Bless, o Ministério Público aponta como elo um sócio preso preventivamente sob acusação de extorsão e vínculos com a facção. A Transunião foi alvo, no primeiro semestre deste ano, de uma operação que investigava extorsão, lavagem de dinheiro e o assassinato de seu ex-diretor Adauto Soares Jorge. A ação resultou na prisão do vereador Senival Moura, que nega irregularidades.
A Polícia Civil afirma que a MoveBus foi incluída em inquéritos da Polícia Federal por supostos vínculos com a irmã de Roberto Soriano, conhecido como Tiriça e apontado como integrante da cúpula do PCC. A Nortebuss é mencionada por relações atribuídas à época em que se chamava Transcooper, em meados de 2015.
A investigação detalha especialmente a A2 Transportes. Segundo os investigadores, o proprietário Paulo Sirqueira Korek Farias mantinha na empresa um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC. A polícia também cita áudios sobre pagamentos ilícitos. A A2 e Farias negam irregularidades. “A A2 Transportes nunca teve envolvimento com o PCC e jamais fez lavagem de dinheiro”, afirmou Paulo Korek. Ele também disse que a operação tem “forte componente político”.
A gestão Nunes informou que determinou o afastamento imediato, em até 24 horas, dos integrantes da diretoria da A2 Transportes citados na operação e que avalia uma intervenção na empresa.
A operação também cita a Transwolff. A assessoria da empresa afirma que Milton Leite nunca teve participação societária, não participou da gestão e não deu ordens na companhia. A Prefeitura de São Paulo criou um grupo de trabalho para analisar a investigação, os contratos e eventuais vínculos com os fatos apurados. A administração declarou que não compactua com irregularidades e que continuará colaborando com as autoridades.







